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The sounds of silence...

DEPOIS DO SONHO
                                  Por Denise Jorge

Escuto minhas palavras se dissiparem ao eco do silêncio,
Vejo as lembranças como lacunas para preencher seus erros,
Sentimentos escritos, nunca ditos, nesse vazio que nos separa,
Desejos reprimidos pela realidade afora.

Sonhos esquecidos por não serem alimentados,
Verdades nunca ditas por sermos fechados,
Frases omissas, subtendidas em meias palavras,
Mentiras escondendo a verdade clara.

Recordações como fuga da falta de amor,
Lágrimas simbolizando a nossa dor,
Idéias confusas mostrando o não saber,
Oportunidades perdidas por não as querer.

Ilusões evidentes desde o primeiro momento,
"Flashs" que atualmente são um tormento,
Egoísmo mútuo por não nos deixarmos partir,
Medo de não ter mais o sentir.

Covardia por não escutar o coração,
Falsidade ao estender as mãos,
Relacionamentos cultivados pela solidão,
Aumentando a cegueira nessa promíscua imensidão.



Numa noite em que palavras não vinham à caneta, dormi... Uma frase me rondava: "escuto as palavras se dissiparem ao eco do silêncio". Sonhei... sonho daqueles reais e estranhos... SURREAIS... E despertei... não sei se do sonho, ou do que vivia... às 20:00 hs do dia seguinte, a frase se completou; era o despertar do sonho...dos sonhos. Querer e não ter... querer a distância, o querer de Platão. Uma ilusão infante, que de tão forte, tornava palpável o vazio e a lembrança... Imagens de uma recordação que eu não deixava esvair... Passados três anos, nada mais existia. Todavia, deparei-me novamente de forma análoga com esta lembrança... Sensação rara... Ao tocar, senti finalmente o Adeus... talvez fosse necessário, pra fazer dormir definitivamente os requícios... E neste dia, com os olhos cheios de lágrimas na penumbra do quarto e dos corpos, outra frase: "por que me acontece isso quando estou com você???"... Um tanto quanto profundo, de outras vidas, quiçá, mas foi o fim. Assim, o último beijo, e a certeza de que aquilo que eternizamos, e guardamos no obscuro da nossa mente, uma vez tocado, emerge na mesma intensidade de outrora. Hoje somente tenho a ausência plantada, e a história. O resto o vento (tempo) tratou de levar.



- Postado por: Deni às 01h17
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